Vi tempo atrás O Lutador com o Mickey Hourke. Gostei. Principalmente da cena em que ele e a Marisa Stripper Tomei “viajam” num pub ouvindo Guns e Motley Crue.
Eu não me emendo.
Escrevi dois textos MARA e não salvei no meu notebook que esquenta e desliga sozinho. Sumiram.
Hoje vi um gato parado em cima do muro. Passei e ele nem tchuns. Adoro. Amo gatos. Esse me lembrou Luíz Henrique, o siamês que tive na adolescência. Homossexual assumido, era também um coitado que vivia preso no apartamento porque se deixasse solto alguém passava a mão e, já viu. Nunca mais. Era tão dependente que toda vez que fugia e subia em um telhado, miava pedindo arrego sem saber descer. Também deitava no meio da rua sem ter idéia de que carro mata. Mas a gente não colocava roupinha nele não. Só um cordãozinho no pescoço,vermelho aveludado, que minha mãe dizia que era pra olho gordo. Aviadava mais ainda, mas ele nem...
Às vezes lembro dele e de seu jeito particular e blasé de me amar e me ignorar completamente.Ele era uma diva. Um mito. Luiz Henrique foi doado por incompetência nossa.Não me perdôo até hoje e já prometi a mim que ainda vou ter mais um, ou um casal, pra compensar tudo isso. Tenho muita vontade, quase choro quando vejo um na rua ou na tevê. Pareço mulher que não vê a hora de ter filho e fica sonhando com a parte boa: fazer quartinho, festa de um ano, tirar foto na banheira pra por no orkut. Mas eu sou sensata. Quero ter dinheiro sobrando pra cuidar do meu casal de gatos com todo conforto. Vou fazer uma poupança. Castração nas melhores clínicas, almofadas de florais, Arranhador-Multifuncional-Gigante-Fisherprice-Thundercats-Baby-Linha-Gold. ...???...
Realidade nua e crua não é algo lá muito atraente na cabeça de uma criança. Vai ver que essa seja a explicação para o fato de lidarem tão bem com o surreal, a perda ou tragédias dantescas. Não é comigo, pensam todas. Dão as costas e vão brincar no seu mundinho paralelo, seu feudo encantado da Grow. Talvez seja por isso que quando pequena, acreditava piamente que quando crescesse seria igualzinha a Farrah Fawcett: loira, olhos azuis, sorriso largo e usando roupas ADIDAS até na hora de dormir.
Nem por um segundo imaginei que seria diferente. Meu cabelo preto, minha cor parda, meus olhos jabuticabais, nada me convencia de que nossos colonizadores não foram os mesmos. Eu não tinha obsessão por ser loira. Eu tinha convicção de que seria igual a Farah, do mesmo jeito que criança acredita que Deus mora depois da nuvem e que guardar chiclete mastigado na geladeira conserva o “docinho”.
Mas eu não virei Farrah Fawcett. Eu não virei uma Panterinha. Eu nunca tive a sorte de ter um chefe que só se comunicasse comigo por um viva-voz e nem tive um Bosley na retaguarda. Ok. Com o tempo você vai perdendo a demência e cai na realidade nua e crua. Era apenas uma garota latino-americana, sem dinheiro no banco e blábláblá. Mas a beleza de Farrah naquela época, até hoje me assusta. Dói a vista. Quem viu Farrah boceja pra Gisele. E eu senti a perda da minha ídola, minha fada dos dentes, aquela que eu queria ser quando crescesse, minha Blonde Ambition. Vai com Deus, Farrah. Love you always! Agora, uma verdadeira Charlie's Angel.
Tá tão frio que meu último hábito adquirido sábado à noite é tomar ovomaltine pelando às nove pra poder encarar minha caneca alcoólica às dez. Não combina, mas a humanidade sempre acha meios de se adaptar as mudanças climáticas em prol de sua sobrevivência.
E eu não ficaria fora dessa.
Fora estou mesmo é do twitter. Tem uma pessoa que freqüenta minha casa que é adepto disso aí. Acho muito chato esse negócio. Se eu fosse um ex BBB, vendedora autônoma, jornalista sem diploma, fanático religioso, até poderia tirar proveito. Mas enquanto pessoa física, não me atrai não. Fazer social em twitter parece tarefa de gincana de escola técnica“ Faça amizade com alguém em apenas 120 caracteres! Valendo!”
Se bem que aquele diretor da globo inventou de ter um twitter e causou tanto que teve que deletar porque só falava da concorrente. Cheguei a acompanhar. Ri litros. Na verdade ele falava da Fazenda que tá dando ibope por causa de um descontrolado, insano, zureta, chamado Théo Becker. Amo muito tudo isso.Gente louca domina o mundo, que dirá meu tempo livre quinta à noite. De mais a mais, pra quem já foi obrigada a assistir Heloise no Plaza numa torturante fila de banco, A Fazenda é puro humor refinado e inteligente.
Lily Allen também anda animando minha vida. Não bastasse o vídeo de Not Fair, agora tem essa gracinha do Fuck you. A letra se dirige aos homofóbicos mais bem que poderia virar meu ringtone pra quando aquele(a) mala ligar eu já ir me preparando para o pior. Ou então na minha secretária eletrônica, pra quem me acorda às sete da manhã achando que já é dia. Esse tipo de louco não merece meu amor!
Hoje foi um dia confuso. Hoje foi um dia feliz. Lembrança dos que já foram. Alegria dos que chegaram. Se eu pudesse entender essa trama... Mas não. Não quero mais. Há um baile nesse silêncio. Gargalhadas na escuridão. Me calei, me parti.Desisti. Hoje eu danço no mesmo lugar. E eu mesma respondo fugindo, pra tudo mais que não quero enxergar.
Assisti ontem um show da Alicia Keys. Essa aí da foto. Eu sei, parece comigo, mas não. Não sou eu.
Rárá.
É só pra dar uma humanizada na minha inveja porque eu sou assumidamente invejosa quando o assunto é Alicia Keys. Não bastasse tocar e compor ela é linda, e isso supera qualquer aptidão. A beleza dela DÓI! Os dentes brancos, os cabelos, o corpo 0% de gordura, a voz, o nariz que favorece e tal, tal, tal.
Eu podia estar odiando, eu podia estar amaldiçoando, eu podia estar roubando, eu podia estar matando. Mas não. Estou aqui estampando em meu blog a beleza alheia sem nem um tiquinho de mesquinhez, porque existem pessoas que não adianta ignorar. Existem simplesmente para que possamos exercitar o lado superior e mofado em nós. Levantar a cabeça e dizer:
É fia, até que cê é jeitosinha...
E seguir. Humilhada, mas e daí? Minha médica disse que meu colo do útero é um arraso! De beleza interior pelo menos, saí bem na frente.
Quando ele estava pra chegar da usina, o esperava sentada no muro. Então eu o via de longe, em direção à nossa casa. Saía correndo porque tudo é distante e alto e fundo quando se é criança. Ele parecia tão longe, e eu precisava alcançá-lo tanto, porque se não corresse talvez ele sumiria, eu pensava, ou ele jamais chegaria até o portão, ou eu viraria pedra, ou meu pai não saberia que eu o amava se não corresse muito, o mais rápido que minhas pernas pudessem chegar, e eu fazia tanta força, puxava os bracinhos pra frente e pra trás, e respirava pela boca e corria, corria para o meu pai ver que eu queria muito que ele chegasse, e que a distância não ia me impedir, porque eu tinha tomado café à tarde bem reforçado, e quase nunca ficava doente.
Eu gritava: paaaaaaaaaaiiiiiiiiii enquanto me aproximava, e não me faltava fôlego, não me faltava forças, não me faltava nada. Enlaçava sua cintura e fechava os olhos. Me chamava pelo apelido enquanto sua mão esfregava minha cabeça. Íamos para casa juntos e ele tentava fingir não estar cansado. Eu sentia o cheiro de sua roupa, o cheiro da usina misturado com o cheiro do meu pai. Eu lembro de suas botas, de seu cinto e sua bolsa. Seu crachá e seu relógio. E a barba por fazer. Me lembro de quando pegava minha mãozinha e passava nela, esperando minha sentença de “ já está espetando, pai”. Na verdade minha mão o emocionava, e o que ele queria mesmo era meu carinho. Mas ele tinha vergonha dessas coisas.
Hoje sonhei com ele. Eu saía da casa onde moro, da qual ele nunca entrou. Via meu pai chegando lá no começo da rua. Tinha o olhar fixo em mim. Eu sabia que ele queria que eu corresse. Fui em sua direção. Ele também veio até mim. O abracei forte. Percebi que meu queixo deitava em seu ombro. Estava mais alta que ele. Meu pai tinha envelhecido. Veio me encontrar como se o tempo, no mundo em que está, tivesse corrido pra ele também. Disse: olha só, estou mais alta que você! Me olhou e respondeu coisas sem nexo, como sempre acontece desde que partiu. Meu inconsciente não consegue captar o que não sabe. O que meu pai diria, o que ele pensa, o que ele quer.
Mas eu sei.
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Hoje a saudade foi mais forte
E ele atravessou os limites do seu mundo
Ele queria meu abraço
Ele queria que eu corresse
Eu entendi sem que pedisse
Porque me lembro...ele tinha vergonha dessas coisas.